Cyber Security Brasilby Igor Deungaro

RBAC não foi desenhado para quem age mil vezes por minuto

RBAC não foi desenhado para quem age mil vezes por minuto

Controle de acesso baseado em papel foi construído sobre um pressuposto que ninguém precisava enunciar: o ator é uma pessoa, age em ritmo humano e tem intenção própria. Agentes quebram os três pressupostos ao mesmo tempo.

Onde o modelo range

Granularidade. Papéis são grosseiros de propósito — “analista”, “operador”. Funciona porque a pessoa exerce julgamento dentro do papel. O agente não exerce julgamento; ele usa toda a extensão do papel se o contexto pedir.

Frequência. Uma permissão que um humano usaria três vezes por dia, um agente usa três mil. Controles que dependem de escassez natural de uso — revisão de log por amostragem, por exemplo — deixam de funcionar.

Intenção. RBAC autoriza pela identidade, não pelo motivo. Para humano isso é aceitável porque a intenção é estável. Para agente, a intenção vem do contexto, e o contexto pode ter sido escrito por um terceiro hostil.

O modelo autoriza quem chama. O problema dos agentes é que quem chama é sempre a mesma entidade, e o que mudou foi o que ela leu.

O que acrescentar sem jogar fora

Não é caso de substituir RBAC — é caso de somar atributos que o modelo não previa:

  • Tarefa. A autorização considera qual tarefa está em execução, não só qual identidade chama.
  • Origem do contexto. Se conteúdo externo entrou no contexto desta tarefa, restrinja verbos de escrita externa.
  • Orçamento. A permissão tem contagem máxima por tarefa, não só um booleano.
  • Delegação. Qual humano pediu, e o agente não pode exceder o que esse humano poderia fazer sozinho.

Esse último item é o mais importante e o mais esquecido: um agente jamais deveria conseguir fazer algo que a pessoa que o acionou não pudesse fazer diretamente. Quando ele consegue, virou mecanismo de escalonamento de privilégio disfarçado de produtividade.

Por onde começar

Comece pelo teto de delegação. É a regra mais simples de escrever, cobre a classe inteira de escalonamento e não exige reescrever nenhuma política existente — só limitar o resultado à interseção entre o que o agente pode e o que o delegante poderia.

Este blog publica em português e inglês. / This blog publishes in Portuguese and English. EN · PT

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RBAC Was Not Designed for Something Acting a Thousand Times a Minute

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